
Letra e música: Fátima Castelo Branco
Hoje está fazendo um mês da partida de Teresa Helena e eu travei:
Fiz e refiz uma canção que apaguei
Nada canta o que realmente sinto
A melodia vai dando voltas no meu ser
Como arabescos na minha alma
A cidade continua exata. Vazia
Nada mudou apesar da vida continuar
Eu queria ter dito antes. Tu me disseste
Eu gostei e podia ter cantado e não cantei
Parecíamos viver tão longe e vejo que era perto
Convivíamos tão pouco e tão muito
Que procuro preencher o vazio com tudo
E pelo sol que me arrebenta o peito
Treze de maio
Dia de Nossa Senhora
*Treze de junho
Dia de Santo Antonio
Dia de Nossa Senhora
Treze de julho
Dia de Nossa Senhora...
“Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro...” (Clarice Lispector)

ANTONIO CÍCERO – Poeta, compositor, ensaísta e filósofo
As atividades públicas de Antonio Cícero se repartem entre o domínio da poesia e o da filosofia. Embora escreva poesia desde a adolescência, essa produção não começou a aparecer em periódicos ou livros, mas sim na forma de letras de canções quando poemas seus foram musicados por sua irmã, Marina Lima, que, ao fazê-lo, dava início à sua própria carreira de compositora e cantora. A partir desse momento, sem abdicar de escrever poemas destinados a serem lidos, ele passou também a escrever poemas feitos para constituírem as letras das melodias que logo passou a receber, inicialmente de Marina, e depois de novos parceiros (entre os quais figuram Lulu Santos, Adriana Calcanhoto, Orlando Moraes e João Bosco, dentre outros).
Em 1996, Antonio Cícero reuniu seus próprios poemas prediletos no livro Guardar (ed. Record, Rio de Janeiro), que foi vencedor do Prêmio Nestlé de Literatura, na categoria Estreante. Em 1997, publicou o disco Antonio Cicero por Antonio Cicero (ed. Luz da Cidade, Rio de Janeiro), em que recita poemas de sua autoria. Poemas seus constam da antologia bilíngüe Outras praias / Other Shores (ed. Iluminuras, São Paulo, 1998, organizada por Ricardo Corona), da antologia Esses poetas (ed. Aeroplano, Rio de Janeiro, 1999, organizada por Heloísa Buarque de Hollanda), da antologia 41 poetas do Rio (ed. Funarte, Rio de Janeiro, 1999, organizada por Moacyr Félix), e da coletânea de textos Mais poesia hoje (ed. Universidade Federal Fluminense, Niterói, 1999, organizada por Célia Pedrosa, Cláudia Matos e Evando Nascimento).
De 1991 a 1992, Antonio Cicero foi, junto com o professor Alex Varella, Coordenador de Estética e Teoria das Artes no Galpão das Artes do MAM, onde ministrou diversos cursos e pronunciou inúmeras palestras. Em 1993, concebeu a organização de uma série de ciclos de conferências que reunissem grandes pensadores e artistas em torno de alguns dos temas decisivos deste final de século. Sob a orientação dele e de Waly Salomão, três desses ciclos foram realizados, parte no Rio de Janeiro, parte em São Paulo, reunindo poetas do calibre de João Cabral de Mello Neto, John Ashbery, Haroldo de Campos, Derek Walcott e Joan Brossa, artistas como os diretores Peter Sellars, José Celso Martines Correa e Arnaldo Jabor, e pensadores como Richard Rorty, José Arthur Giannotti, Ernest Gellner, Darcy Ribeiro, Peter Sloterdijk, Hans-Magnus Enzensberger e Tzvetan Todorov, entre outros.
Em 1994, junto com Waly Salomão, organizou o livro O relativismo enquanto visão do mundo (ed. Francisco Alves, Rio de Janeiro), que reuniu as contribuições referentes a um desses ciclos. No mesmo ano, participou da Bienal Internacional do Livro, de Frankfurt, a convite do Ministério da Cultura, tendo pronunciado na Literaturhaus uma conferência sobre a cultura brasileira. Em 1995, publicou o ensaio filosófico de sua autoria O mundo desde o fim (ed. Francisco Alves, Rio de Janeiro), que discute o conceito de modernidade. Em 1998, publicou, na coletânea organizada por Alberto Pucheu intitulada Poesia (e) filosofia (ed. Sete Letras, Rio de Janeiro), o ensaio "Epos e muthos em Homero", parte de uma obra mais extensa, ainda inédita, consagrada à poesia grega arcaica. Em 1999 foi publicado o seu ensaio "A época da crítica: Kant, Greenberg e o modernismo", na coletânea organizada por Ileana Pradilla Cerón e Paulo Reis intitulada Kant: Crítica e estética na modernidade (ed. Senac, São Paulo). No ano de 2000 foi publicado o seu ensaio "Poesia e paisagens urbanas", na coletânea Mais poesia hoje, organizada por Celia Pedrosa (ed. 7 Letras, Rio de Janeiro). Atualmente, Antonio Cícero se dedica a escrever poemas e ensaios, além de ocasionalmente fazer leituras e palestras em instituições tais como o MAM do Rio de Janeiro, o Museu de Arte Contemporânea de Niterói e o Centro Cultural Banco do Brasil, bem como noutros estados do Brasil.
(HOME PAGE de ANTONIO CÍCERO)
CANÇÃO DA ALMA CAIADA
Aprendi desde criança
Que é melhor me calar
E dançar conforme a dança
Do que jamais ousar
Mas às vezes pressinto
Que não me enquadro na lei:
Minto sobre o que sinto
E esqueço tudo o que sei.
Só comigo ouso lutar,
Sem me poder vencer:
Tento afogar no mar
O fogo em que quero arder.
De dia caio minh'alma
Só à noite caio em mim
por isso me falta calma
e vivo inquieto assim.
Nota: Esta é a primeira letra que Marina musicou, feita por Cícero nos USA, "Canção da Alma Caiada".
Maria Bethania chegou a gravar a música em 77, mas foi censurada. Anos depois, Zizi Possi fez nova gravação.
Embora Marina já tenha cantado essa canção em shows, nunca gravou-a em disco.
SIMBIOSE
Sou seu poeta só
Só em você descubro a poesia
Que era minha já
Mas eu não via.
Só eu sou seu poeta
Só eu revelo a poesia sua
e à noite indiscreta
você de lua.
GUARDAR
Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.
VAI TER REUNIÃO NA TERÇA FEIRA, ÀS 16 HORAS NA FUNDAC.
BEIJOS MUSICAIS.
Foi um "luxo só", Gabi cantando Dalva de Oliveira no Palácio da Música, no sábado passado. Gabi estava iluminda. Esse show precisa ser visto nas Escolas, Faculdades etc. Ísso é recontar a história musical brasileira. Parabéns Gabi, se é redundante dizer que você é um sucesso!!! sou redundante sim...
beijos e parabéns pelo show!



Gabi, você é fantástica na hora do lencinho kkkkkkkkkkk...

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