Com a abertura do ano judiciário no Tribunal Superior Eleitoral deu-se a largada oficialmente para as Eleições Municipais de outubro próximo, concomitantemente, os grandes adivinhos do poder abriram as bolsas de apostas para o pleito. Eis uma atividade em que os brasileiros parecem sair-se bem: a especulação política.
Enquanto os estadunidenses assistem freneticamente aos membros do partido democrata engolfarem-se em uma luta fratricida para a escolha do adversário do presidente Barack Obama nas eleições de novembro, por aqui não se pode falar ou fazer nada além do protocolo sob pena de estar caracterizada a propaganda extemporânea e a candidatura futura acabar ameaçada.
Assim, enquanto os especuladores enlouquecem com suas apostas, os verdadeiros contendores em busca das vagas do Executivo e Legislativo municipal só poderão calçar as luvas e subir ao ringue depois de 5 de julho. Contudo, engana-se quem pensa que haverá modorra no cenário político, este primeiro semestre servirá para os balões de ensaio, surgirão inúmeros pretensos candidatos, discutir-se-ão as mais variadas, promíscuas e improváveis composições partidárias, as regras eleitorais sofrerão abalos e certamente falarão da importância das decisões de hoje para as Eleições Gerais de 2014.
A plateia, por seu turno, assistirá a tudo extasiada envolvendo-se, debatendo, criticando e sendo criticada, para depois no distante mês de outubro esquecer tudo. Na hora inafastável da solidão na cabina eleitoral o cidadão domina-se por anseios incertos e não parece assumir posição nítida de desagrado com o status quo que o rodeia. Desde que é mundo as coisas parecem funcionar desse jeito nestas bandas do Atlântico Sul.
Ano eleitoral é assim, sempre tem mais do mesmo, mas a excitação que envolve as pessoas é impressionante. A paixão política parece suplantar as demais, mesmo com descrédito da classe o cidadão não resiste à tentação e acaba caindo nos braços do debate democrático. Isto é bom para o amadurecimento do país, das ideias e das pessoas.