
Maria Cirila de Carvalho é mãe de oito filhos, sendo um adotivo. Nasceu em Simões(a 440 km de Teresina) no dia 08 de dezembro de 1933, estando hoje com 75 anos de idade.
No Dia das Mães, Dona Maria conta que tem muito orgulho da sua vida, pelo seu contexto e história. A luta foi difícil, mas conseguiu criar seus oito filhos com uma boa educação.
Dona Maria passou por muitas dificuldades, perdeu o pai aos nove anos de idade, por isso desde criança trabalhou para o seu sustento. Aprendeu a costurar sozinha, profissão que viria a ajudar muito o seu esposo na renda da família, sendo essa uma das diversas atividades que exercia, pois morava no campo.
Maria Cirila casou nova, e como todo nordestino, que antigamente quando queria melhorar de vida ia para São Paulo, também foi com o marido na busca de melhor trabalho. Ela foi para São Paulo de pau-de-arara (caminhão que carrega várias pessoas na carroceria), lá ela teve as duas primeiras filhas, mas a vida corrida e com muitas dificuldades lhe fez voltar a terra natal, sua terra de origem, o nordeste, Simões mais precisamente.
Dona Maria cursou apenas até a 3ª série do ensino fundamental, mas mesmo assim foi ela que ensinou as primeiras letras à filha mais velha. A situação financeira era muito difícil, mas ela e seu esposo eram conscientes que não tinham herança material para deixar para os filhos, contudo tiveram sabedoria para entender que a melhor herança era a educação e assim fizeram. E na cidade ela terminou de educar os filhos com muita dificuldade, pois moravam no campo. Mas no período letivo ela e seu esposo tinha que ir com os filhos para a cidade. Nas férias, todos voltavam para o campo, onde trabalhavam na agricultura e na pecuária.
Maria Cirila é uma pessoa reservada. Trabalhou a vida toda e nunca se queixou de nada. Sempre foi conselheira, procurou criar seus filhos com base nos valores cristãos. Dos seus oito filhos, seis são mulheres. Adotou um filho homem tanto para ajudar a criança, quanto para preencher uma lacuna na vida.
Talvez a maior dificuldade na sua vida fosse a perca, em 1996, da sua filha mais velha, deixando uma filha, a terceira neta de Maria Cirila, fato que abalou muito a estrutura forte dessa mulher que sempre tinha uma palavra de esperança nos momentos difíceis da família, funcionando como um porto seguro para todos.
Dona Maria conseguiu realizar seu grande sonho: ver seus filhos bem estruturados. Seis dos seus filhos são formados, os que não o são foi por escolha própria. Todos trabalham, todos são bem sucedidos.
Maria Cirila de Carvalho tem dezenove netos, dos quais cinco já são formados, outros estão na faculdade e os mais novos estão na escola, seguindo os ensinamentos da vovó.
Maria Cirilia continua morando no campo, ela se considera uma pessoa feliz, de muita fé e realizada.
Seus netos a adoram e sempre a visitam. Dona Maria quer fazer pelos seus netos tudo àquilo que não pôde fazer pelos filhos, como a maioria das avós, pois como diz, avó é mãe duas vezes.
Assim como Maria Cirilia, as mães do Nordeste têm esta fotografia, uma vida difícil e sofrida. Raras as vezes que nas velhas gerações uma mãe de oito filhos tenha conseguido viver com luxo.
Em uma cidade como é Simões estas mães merecem mais do que uma homenagem, merecem ser reconhecidas todos os dias pelo grande trabalho e vida que tiveram como batalhadoras, enfrentando os obstáculos e preconceitos mais difíceis que a vida lhes mostrou.
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